um solo de guitarra se estendendo para longe do solo,
espiralando-se vertical na fumaça do teu cigarro,
as cordas tesas suspendendo a realidade em névoa:
o umbigo do vulcão fui eu?
com o peito cheio de pedras teu suspiro cala, fundo, ignorante de metáforas
e eu te digo na sede do fogo: beat sem exagero é bobagem:
(re) inagura meu nome estranho
o umbigo do vulcão fui eu?
com o peito cheio de pedras teu suspiro cala, fundo, ignorante de metáforas
e eu te digo na sede do fogo: beat sem exagero é bobagem:
(re) inagura meu nome estranho
dentro do escuro grande do que não chegou a ser
soletra esse desatino sem receio,
soletra esse desatino sem receio,
sem respiro,
eu juro que faz muito sentido
ação:
ação:
era aquela coisa trágica e fervilhante
- por una cabeza ou adiós,nonino, je ne sais pas -
quando eu perguntei, sem fazer caso, como quem pergunta as horas ou fecha os olhos para tentar lembrar do sonho, e ele disse:
"aquele lá pirou, pensa que é rockstar".
gargalhei,
"aquele lá pirou, pensa que é rockstar".
gargalhei,
sem destinatário,
assim: de uma tristeza desimportante.
assoviei na rua, com o vento forte, a sorte dessa tua desimportância.
corta.
indivi(duo) e reinvento tua imagem que quase não tenho
[o céu derramando música e lava,
assoviei na rua, com o vento forte, a sorte dessa tua desimportância.
corta.
indivi(duo) e reinvento tua imagem que quase não tenho
[o céu derramando música e lava,
o nó tão inglês do cachecol preto,
a noite áspera refletida nas poças de neon]
:os cacos
:os cacos
transformo em palavras
que teço pra ti agora
nesse espanto branco:
de tudo guardo só o irreversível, porque é um verso feito e então não tenho escolha:
teu olho aberto na minha pupila
de tudo guardo só o irreversível, porque é um verso feito e então não tenho escolha:
teu olho aberto na minha pupila
corpo e alma, poro e lama
palmo à palmo
(re)conheço.
2 comentários:
Lindo!!
Preciso reler e reler e reler. Como um martelo pregando devagarinho. Ir e voltar.
Postar um comentário