quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Não quero disputar amor.
Olha aqui os meus pulsos pulsando, a minha pele tão fina que qualquer faca atravessaria.
Não posso, amor.

A veia visível à flor do rosto não deixa entrever minha faina?

É fácil perceber a pura inapetência bélica. Então por quê, em tanto, reverbero ainda o grito como se não temesse o sabor das balas? Será só doença o que me faz vestir a densa armadura de lanho e aço nos nervos pra enfrentar a batalha?

Eu quero a pólvora do teu peito, quero: amo tua voz e tua cor e o teu jeito de fazer amor.Canto alto pelo Cais do Porto, brega, sem vergonha: baixa como os graves.

lhada em pensamentos e notas musicais percorro com os dedos tuas ilhargas e singro vazia pelo rio sujo.
Sento no calçamento do armazém pra sentir o vento desenhando o caminho por entre os meus cabelos: estou tão atrasada.Deponho as armas: é tarde, estou atrasada, há anos partiu-se em mim o último navio.

(As andorinhas voam leves porque desconhecem o nome das cores do céu. As garças voam desengonçadas porque sabem que mais importante que poder voar alto é ter onde pousar. Tira os óculos escuros, meu amor, porque hoje não vai ter pôr-do-sol.)

Nado na lembrança que não há de um porto seguro um pouco acima das tuas olheiras. Estou atrasada. E não me importo. Só se faz sentido na luta armada. E eu cansei de ser guerreira.
Cheguei a algum entendimento: é só cansaço isso de querer apenas o que for meu.Meu também, não só, mas meu o meu pedaço até o maldito fecheclér. Disponho as armas. Quer?

Entendimento porra nenhuma! Sequer entendo porque escrevo isso agora se sei que não é possível te alvejar de certezas.Tampouco entendo porque imaginei que há três meses,naquela tarde,não era um tiro cego de estopim o que eu disparatava quando contei que te queria até o fim como sempre te quisera .

Não entendo porque continuo trocando em miúdos o amor de tuas mãos grandes se sei que minha fome não será jamais saciada às migalhas.

Choro na infantaria, morteiros sublinguais, em carne e osso coadjuvar me dói.
Se for pra lutar novamente que seja ao menos uma vez contra os meus próprios infernos astrais. E apesar disso desejo, sim e como, desejo os teus fogos de artifício no céu da minha boca, inteira ternura, intérmina bandeira branca, trégua para a entrega e sol nos cílios.

É isso.
Ou eu deixo de ser aquela que convém, denuncio o teu plano de ataque e desfilo nua na trincheira.
Porque eu, meu bem, eu não me responsabilizo nem por mim, nem por ninguém.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ser feliz é tudo que se quer!!

Cezar Dias disse...

bah, quanta entrega, ge!
e quanto fôlego!