domingo, 18 de novembro de 2007

Escrevo no escuro para não ver a minha solidão.
Não sei de nada e faço questão de esclarecer: pura soberba!
Não é só porque eu tenho coração de manteiga
que ando pra lá e pra cá como uma poodle perdida no trânsito:
é também que tu complica, atua, não explica.
E eu,
vesga de novembro e nuvens no Cais,
me esvazio dos meus ais: te amo tudo e mais.

( O escuro deixa claro: encaixe.Não sei qual o contrário de caixa de pandora)

O que eu estava perguntando era: Tu me adora?
Eu, tu em frente, sempre.
Um Sempre solene.
Vestido de alto esporte.
Ao mesmo tempo sereno e forte.
Como uma pandorga de seda.
Como se fosse sempre cedo
e não estivéssemos nunca outonais demais,
mas apenas coloridos ao sol.

Como se fosse só questão de bom tempo e virtude
sermos
sempre
pipa,
papagaio,
plenitude.

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