quinta-feira, 4 de setembro de 2008

inconfissão

me fala das minúsculas ondas lisas que se formaram lá onde se jogou a primeira pedra?
solto aqui o léxico como num veio de sanga: que toda tormenta nada mais é que água
transmutar a mudez em nudez de palavra previne o embrutecimento que tanto castiga na lavra de nos fazer vivos
solver no âmago a nódoa do não-dito desmuda os nadas que atordoam: então diga
te abarco e asseguro: vejo, mesmo lá onde, antigo em ti, se fundou o maior escuro
me dá teu nexo que eu agarro e faço vela: in-vento destino que nos aguarde e guarde
tisnados de sol em sopros de dias sempre ilumenescendo
alimentando a foz pra nascermos cada vez mais nós
amarrados na ação do corpo que o verbo avermelha, desenrola,
e que se fosse imagem seria pôr-do-sol na beira d'água
apagando centelhas para mais tarde acender a aurora

2 comentários:

Sidnei Schneider disse...

oi, revistei teu blogue de cima a baixo. andas soltando o cérbero, hein? teu verbo, carícia na cabecinha das palavras. entra no lago e vê se te achas no meu umbigo. bjs

Jeff disse...

gostei! :) algo num tom semelhante aqui: http://eupassarin.wordpress.com/2010/01/24/fragmentos-de-escrita-semi-automatica-ii-sideracoes/

beijos, jeff