Às vezes sóàs vezes relembro fotos ao soláguas em movimento indiferenteteus dedos nas teclas sete notas sem par meu suspiro guardado na caixa toráxica porfalta de ar o teclado dormindo embaixo da cama não se deixa tocarEssa saudade eu sei que também notas abanando depois a cabeça para que te abandonem asimaginárias mariposas É um trincar de vidro estremecendo a espinhahematoma na memória insonemancha na gasta mobília do vividosó que já tudo tão antigo que o toque é morno como o de um hábito
[2 X 2: Rimbaud, o gato branco, perdeu-se (morreu) e ninguém mais crê que voltará]
Não me importa muitoopouco sentido porque é este o único alívio para quem sente demais Também é com desdém que mordo a carne fácil dessa frase frágil já que seria demais supor que não é comumolugar onde estou O amor também é convenção e trava-línguas Às vezes sóàs vezes resvalo tão fundo no íntimo da farsa que a vejo bonita e tresnoito a lástima de vê-la findaA imagem deves compô-la assim o homem é alto e a mulher tem os cabelos molhadosDentro da velha delicatessen eles encostam os joelhos porque já não acham outro modo de encontrar a meadadofio de açofremente que os atravessa pelo meio, numa desagrávelunião Mais tarde um narrador em terceira pessoa com opressora precisão e frieza há de revelar que o que o homem queria era vingança como a sujeira que se esconde debaixo das unhas E que amulheramulheramulheramulher a mulher não sabia o que queria não sabia saber à nada além daqueles joelhos que se colavamaosdela Mas mentia pintava a boca de vermelho dizia de si para si que queria era morrer tão leve e para sempre quanto um lilás não era culpada era a chaga o estigma da falta a meia dúzia de óperas que ouvia chorando transida pelomedoepelaignorânciadomedo Guardei com demasiado desvelo uma imagemmacia de corpos deitados delado num vento de novembro que esmaece pouco a pouco como numa polaroidesquecida Envolta em música suave demais guardei a vontadedeamardeverdade a minha magreza de guarda-chuva na ponta dos teus dentes de criança
[3 X 4: mãos irmãs em duas dimensões, contraste e brilho discretos, repousam depois do vôo]
Ingenuidade crer que seja confissãoconfusa sei que agora me vês numa nudez de séculos Era uma infância dada um ao outro ali frente a frente e nos calava as pálpebras com se fosse um beijo Crianças sóriem quando têm razão Era um fingimento doce navegar na brisa quando na boca só o que havia era a náusea do mundo por favor, com gelo e limão Era um teatro limpo o encaixedenossascoxas enquanto os atores de folga embebiam vaidades no conhaquePancake se tira com águaesabão O sentido é estePara foraDesde dentro Toma meu transe é teuRia comigo coração desse monstro bêbado que me espreita entrelinhas tingindo-as com o falso timbre de fundas olheiras e mãos fartas de ana crônicoverso Toma meu transe é teuInteiro e puro traduzo o que se deixou de comunicar
[2 X 2: não mais, diz o bom senso, deve partir-se uma história no espaço de uma mesma vida ou uma mesma vida em história a que falte espaço]
Tuas tragédias eu trago em minha voz trêmula - Só tu a ouves Só eu as conheço - Aos largosgolestrago à luz a tensão de tua voz se te calas não é assim por fina virtude mas por virtudo aquilo que vês também um pouco de minhas retinasÀs vezes sóàs vezes relembro as fotos em fogo águas convulsas fotografando o céu
[3 X 4: as provas estão aí, na caixa de sapato, como restos consanguíneos num jazigo abandonado]
O que se segue daí, não digo Imaginem vocêsObservando é claro o quanto me ajudam no aprendizado da generosidadeVejam exponho os pontosospingosemeuspulmõesfebris mas nunca parece ser o bastanteEntão imaginem
[2 X 2: Rimbaud, o gato branco, perdeu-se (morreu) e ninguém mais crê que voltará]
Não me importa muitoopouco sentido porque é este o único alívio para quem sente demais Também é com desdém que mordo a carne fácil dessa frase frágil já que seria demais supor que não é comumolugar onde estou O amor também é convenção e trava-línguas Às vezes sóàs vezes resvalo tão fundo no íntimo da farsa que a vejo bonita e tresnoito a lástima de vê-la findaA imagem deves compô-la assim o homem é alto e a mulher tem os cabelos molhadosDentro da velha delicatessen eles encostam os joelhos porque já não acham outro modo de encontrar a meadadofio de açofremente que os atravessa pelo meio, numa desagrávelunião Mais tarde um narrador em terceira pessoa com opressora precisão e frieza há de revelar que o que o homem queria era vingança como a sujeira que se esconde debaixo das unhas E que amulheramulheramulheramulher a mulher não sabia o que queria não sabia saber à nada além daqueles joelhos que se colavamaosdela Mas mentia pintava a boca de vermelho dizia de si para si que queria era morrer tão leve e para sempre quanto um lilás não era culpada era a chaga o estigma da falta a meia dúzia de óperas que ouvia chorando transida pelomedoepelaignorânciadomedo Guardei com demasiado desvelo uma imagemmacia de corpos deitados delado num vento de novembro que esmaece pouco a pouco como numa polaroidesquecida Envolta em música suave demais guardei a vontadedeamardeverdade a minha magreza de guarda-chuva na ponta dos teus dentes de criança
[3 X 4: mãos irmãs em duas dimensões, contraste e brilho discretos, repousam depois do vôo]
Ingenuidade crer que seja confissãoconfusa sei que agora me vês numa nudez de séculos Era uma infância dada um ao outro ali frente a frente e nos calava as pálpebras com se fosse um beijo Crianças sóriem quando têm razão Era um fingimento doce navegar na brisa quando na boca só o que havia era a náusea do mundo por favor, com gelo e limão Era um teatro limpo o encaixedenossascoxas enquanto os atores de folga embebiam vaidades no conhaquePancake se tira com águaesabão O sentido é estePara foraDesde dentro Toma meu transe é teuRia comigo coração desse monstro bêbado que me espreita entrelinhas tingindo-as com o falso timbre de fundas olheiras e mãos fartas de ana crônicoverso Toma meu transe é teuInteiro e puro traduzo o que se deixou de comunicar
[2 X 2: não mais, diz o bom senso, deve partir-se uma história no espaço de uma mesma vida ou uma mesma vida em história a que falte espaço]
Tuas tragédias eu trago em minha voz trêmula - Só tu a ouves Só eu as conheço - Aos largosgolestrago à luz a tensão de tua voz se te calas não é assim por fina virtude mas por virtudo aquilo que vês também um pouco de minhas retinasÀs vezes sóàs vezes relembro as fotos em fogo águas convulsas fotografando o céu
[3 X 4: as provas estão aí, na caixa de sapato, como restos consanguíneos num jazigo abandonado]
O que se segue daí, não digo Imaginem vocêsObservando é claro o quanto me ajudam no aprendizado da generosidadeVejam exponho os pontosospingosemeuspulmõesfebris mas nunca parece ser o bastanteEntão imaginem
o calvário
a paixão
o êxtase
o final feliz
o cinza dessa tarde
ouoporquêdeprestaremtantaatençãoemmim.
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